segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Família

É triste ver aquele homem forte e cheio de energia em uma cama, fraco e com dificuldades de falar. É triste ver aquele mulher, que sempre estava entretida com bordados e crochês, também em uma cama, esperando seu marido, e chorando assim que vê algum ente querido.

Toda vez que lembro de meus avós, vem a minha cabeça aquela casa de madeira, com um gramado gigantesco, o sol da manhã acompanhado do frio também matinal, ele arrumando os apetrechos do churrasco, ela preparando arroz e salada, primos e tios chegando aos poucos, e assim todos passam o domingo reunidos.

Agora, vejo os dois, já velhos, em uma casa que não a deles. Incomodados. Incomodando. Preocupa-me o destino deles. E, assim como o deles, o da gente, seus descendentes. Onde nos reuniremos? Por qual motivo? Há quanto tempo não vejo todos juntos? Será que foi em 1999 ainda, nas Bodas de Ouro, quando éramos mais novos e sem trabalho, quando todos podíamos viajar sem problemas, quando ELE ainda era vivo?

Cheguei a pensar que não me emocionaria quando meus avós partissem. Engano. Ver ele ali, na cama de um hospital, me deu um aperto no coração. Não chorei em sua frente. Só lhe disse que o admirava, o que nunca fiz antes. Vi um sorriso em seus lábios.

Aprendi com a vida que devemos sempre falar o que pensamos e sentimos, tocar quem amamos. Nunca se sabe quando será a próxima oportunidade. Isso se ela existir.