quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Memórias de viagem

Todo universitário deveria, ao menos uma vez na vida acadêmica, ir a um encontro estudantil. Uma experiência inesquecível. É lá que se vive momentos de descobertas, de debates políticos intermináveis e de grandes viagens turísticas.

Não há nada mais interessante que viajar horas intermináveis, às vezes dias, dentro de um ônibus com várias pessoas, ou amigas de longa data ou que acabara de conhecer. No trajeto, a comida de beira de estrada vai mudando conforme a paisagem. E o rigor ou nojo também segue na mesma linha.

Analisando a situação, o divertido é a viagem em si, quando se discute de tudo entre poltronas e álcool. Desde a política nacional até vida após a morte, passando por piadas de português, histórias sobre ETs ou fantasmas e experiências sexuais. Falando nisso, sempre tem aquele que tenta azarar as meninas, com desculpinhas como sentar ao lado ou cair sobre ela em curvas fechadas.

Chegando ao destino planejado – a maioria das vezes alguma cidade litorânea –, o objetivo é reconhecer terreno. Provavelmente o evento será em alguma universidade ou escola. Então, é comum ter o abecedário pelas paredes, parquinho com gangorra e balanço, ou até laboratórios anatômicos e restaurante universitário.

Os painéis, palestras ou seminários – tanto faz a nomenclatura – são intermináveis, com pessoas falando sempre as mesmas coisas, ou então, quando se quer incendiar, colocam opiniões contrárias, e aí o circo pega fogo. Serão 3, 4 longas horas de discussão. Parece até discurso do Chávez.

Os encontristas são um caso a parte. Têm aqueles esquerdistas ao extremo, com uma tatuagem do Che no braço e uma camiseta chamando o PT de pelego. Há também os alternativos, com calças xadrez e ar de intelectual, só pensando em debater a MPB. Não se pode esquecer das patricinhas, que ninguém – nem elas mesmas – sabem o que estão fazendo ali. Foram só pra conhecer o “mundo real”.

Porém, querendo ou não, são nesses encontros que o amadurecer acontece. É lá que se descobre as mais variadas espécies de maconha – sim, muita gente experimenta pela primeira vez em um encontro da vida -, ou então se conhece o amor da sua vida, ou da sua viagem.

Depois disso tudo, quando você já estragou seu estômago de todas as maneiras possíveis, já não tem mais fígado, descobriu todos os banheiros que existiam no lugar, ou até que não existiam, não tem mais roupa limpa, vem a viagem de volta. Enfrentar mais três, quatro dias, com pessoas que não suporta mais e com um cansaço extremo.

E, assim que chega em casa, querendo usar sua privada de estimação, sua folha dupla, tomar aquele banho decente e com água quente, comer algo com origem não duvidosa, vem o querer ter aproveitado um pouquinho mais tudo aquilo, e, talvez, até uma vontadezinha de se enfiar na próxima viagem.

Um comentário:

  1. E eu que só fui a UM mísero Erecom! Ai, tempo perdido que não volta mais!

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